sábado, 20 de setembro de 2014

"Hoje eu sonhei com a saudade."

Mas o que é sonhar com a saudade afinal? É se sentir parte de um todo, ontem, hoje e amanhã. É perceber que somos parte da saudade, seja nossa ou de alguém, até sermos parte do outro. É saber que talvez o que sentimos saudade nunca volte. Ou se jogar num abraço choroso do reencontro de que esperamos anos a fio. Talvez a saudade seja a solidão acompanhada de lembranças que nunca se foram. Quem sabe até a ausência da nossa própria presença injustificada. "Hoje eu sonhei com a saudade." E talvez sonhar com a saudade seja sentir uma realidade oprimida. Ser parte de um todo, mas ainda sim ser parte de mim mesmo.


quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Metamorfose Nostálgica

Saudades de quando o tempo era meu e eu fazia dele a minha fantasia. Quando eu andava com passos de bailarina, tão leve que até o vento poderia me levar. Talvez a gente só entenda que era feliz quando passa por dias tristes. Só entenda a companhia quando vive a solidão. E ai quando nada parece valer o esforço que você fez tudo fica meio cinza. O incomodo invade o corpo todo e você tem certeza do que precisa manter a distancia. A mudança parece sua unica saída e abrir mão de sonhos que não passaram de utopia talvez seja a única decisão.


sábado, 13 de setembro de 2014

Que país é esse?

Fale agora ou cale-se para sempre!


“Começa agora o horário eleitoral obrigatório. Dentro de alguns minutos 
voltaremos com a nossa programação normal.”


Agora que o aviso já foi dado e temos alguns minutos com a televisão desligada é justo conversar. Vamos começar falando dessa tal Democracia. “Nas democracias, é o povo quem detém o poder soberano sobre o poder legislativo e o executivo. É um conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade humana; é a institucionalização da liberdade*.” Sim, temos o poder de eleger quem nós queremos, mas e depois? Depois a decisão foge simplesmente das nossas mãos. Não votamos em leis, ninguém nos pergunta o que é melhor. Então vamos questionar essa tal democracia. Somos um Brasil democrático, mas o voto é obrigatório e a propaganda eleitoral nos meios de comunicação também é. Mas a democracia não era a institucionalização da liberdade? Então o que houve?

Desculpem-me por ser tão injusta falando assim, afinal está tudo bem, todo mundo está feliz. O salário subiu, o desemprego caiu! Então nada mais justo que aumentar a luz, o preço dos alimentos, os juros. Afinal o Brasil é um país rico e não existe família sobrevivendo com um salário mínimo, ou devo dizer micro? Faça-me o favor né! Que país é esse?
Temos mais 20 minutos de propaganda eleitoral e agora vamos ligar a televisão para descontrair a conversa. Tem um homem falando um monte de coisas. Esse texto está gravado na sua memória ou ele está lendo? Bom, seja lá o que for é cheio de promessas utópica e provavelmente não foi ele quem escreveu. Que políticos mais robóticos! Será que fazem parte da mesma companhia teatral?

É ano de eleição e isso é preocupante, pois temos mais quantidade do que qualidade. É o Zé da feira, a Maria da padaria, o pastor da tal igreja, a Joana da esquina. A propaganda avisa: “Pense, pesquise o passado dos candidatos. Quatro anos é muito tempo, principalmente quando as coisas não vão bem.” E a verdade é que não que as coisas não estão bem, elas estão péssimas. E o que fazer quando a maioria não tem passado? E quando tem um histórico, o que fazer quando é sujo? Perdoar e dar uma chance? Afinal, o candidato pode ter feito analise e agora é um ser humano melhor e que não se corrompe diante do poder. Isso é talvez cair no vicio da inocência, pois em ano de eleição todo mundo parece convertido a Deus. Mas a verdade é que nossa pátria amada está cada dia mais como uma novela mexicana. Eles de um lado tentando fazer com que nós tenhamos uma visão mais otimista dessa sujeira que ninguém pretende limpar. E nós do outro sentado no sofá afirmando que não tem mais jeito.

Há poucos anos atrás tínhamos voz ativa nas ruas. Mudavam as coisas na insistência. E agora? Onde estão aqueles jovens idealistas? Envelheceram e esqueceram-se de passar essa herança aos seus filhos ou estão cansados demais para lutar? As eleições estão chegando e quem está lá em cima não se preocupa em selecionar melhor quem pode se candidatar. Mas nós podemos selecionar bem quem pode ganhar ou perder. Não somos crianças vendo desenho animado por 30 minutos antes de uma novela começar, embora esteja sendo criada uma sociedade de adultos infantilizados. Somos a grande maioria e se eles não fizerem nada nós devemos fazer. Por que quem estava certo era Geraldo Vandré: “Quem sabe faz a hora não espera acontecer”.



* Fonte: http://www.embaixada-americana.org.br/democracia/what.htm
* Texto criado em agosto de 2008