Fale agora ou cale-se para sempre!

“Começa agora o horário eleitoral obrigatório. Dentro de
alguns minutos
voltaremos com a nossa programação normal.”
Agora que o aviso já foi dado e temos
alguns minutos com a televisão desligada é justo conversar. Vamos começar
falando dessa tal Democracia. “Nas democracias, é o povo quem detém o poder
soberano sobre o poder legislativo e o executivo. É um conjunto de princípios e
práticas que protegem a liberdade humana; é a institucionalização da
liberdade*.” Sim, temos o poder de eleger quem nós queremos, mas e depois?
Depois a decisão foge simplesmente das nossas mãos. Não votamos em leis,
ninguém nos pergunta o que é melhor. Então vamos questionar essa tal
democracia. Somos um Brasil democrático, mas o voto é obrigatório e a propaganda
eleitoral nos meios de comunicação também é. Mas a democracia não era a
institucionalização da liberdade? Então o que houve?
Desculpem-me por ser tão injusta falando assim, afinal está
tudo bem, todo mundo está feliz. O salário subiu, o desemprego caiu! Então nada
mais justo que aumentar a luz, o preço dos alimentos, os juros. Afinal o Brasil
é um país rico e não existe família sobrevivendo com um salário mínimo, ou devo
dizer micro? Faça-me o favor né! Que país é esse?
Temos mais 20 minutos de propaganda eleitoral e agora vamos
ligar a televisão para descontrair a conversa. Tem um homem falando um monte de
coisas. Esse texto está gravado na sua memória ou ele está lendo? Bom, seja lá
o que for é cheio de promessas utópica e provavelmente não foi ele quem
escreveu. Que políticos mais robóticos! Será que fazem parte da mesma companhia
teatral?
É ano de eleição e isso é preocupante, pois temos mais
quantidade do que qualidade. É o Zé da feira, a Maria da padaria, o pastor da
tal igreja, a Joana da esquina. A propaganda avisa: “Pense, pesquise o passado
dos candidatos. Quatro anos é muito tempo, principalmente quando as coisas não
vão bem.” E a
verdade é que não que as coisas não estão bem, elas estão péssimas. E o que
fazer quando a maioria não tem passado? E quando tem um histórico, o que fazer
quando é sujo? Perdoar e dar uma chance? Afinal, o candidato pode ter feito
analise e agora é um ser humano melhor e que não se corrompe diante do poder.
Isso é talvez cair no vicio da inocência, pois em ano de eleição todo mundo
parece convertido a Deus. Mas a verdade é que nossa pátria amada está cada dia
mais como uma novela mexicana. Eles de um lado tentando fazer com que nós
tenhamos uma visão mais otimista dessa sujeira que ninguém pretende limpar. E
nós do outro sentado no sofá afirmando que não tem mais jeito.
Há poucos anos atrás tínhamos voz ativa nas ruas.
Mudavam as coisas na insistência. E agora? Onde estão aqueles jovens
idealistas? Envelheceram e esqueceram-se de passar essa herança aos seus filhos
ou estão cansados demais para lutar? As eleições estão chegando e quem está lá
em cima não se preocupa em selecionar melhor quem pode se candidatar. Mas nós
podemos selecionar bem quem pode ganhar ou perder. Não somos crianças vendo
desenho animado por 30 minutos antes de uma novela começar, embora esteja sendo
criada uma sociedade de adultos infantilizados. Somos a grande maioria e se
eles não fizerem nada nós devemos fazer. Por que quem estava certo era Geraldo
Vandré: “Quem sabe faz a hora não espera acontecer”.
* Fonte: http://www.embaixada-americana.org.br/democracia/what.htm
* Texto criado em agosto de 2008
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